Percentual de Margem de Lucro no Comércio

Tenho observado, em trabalhos de consultoria e treinamento que realizo junto a empresários e gestores de empresas comerciais, que muitos utilizam um percentual de margem de lucro que julgam ser o ideal para equilibrar suas contas, para fazer cálculos e análises de preços de venda praticados. Na maioria dos casos o percentual utilizado está correto ou próximo do ideal. Em alguns casos não. Por outro lado, vejo que muitos utilizam percentuais que “sempre foram utilizados” ou que “a maioria das empresas do ramo utiliza”.

Esse percentual pode ser calculado, gerenciado e otimizado. Isso sem precisar aumentar o preço das mercadorias! A partir do exame do seu Balanço Patrimonial e de seu Demonstrativo de Resultados, a empresa pode observar com que margem de lucro está operando. Pode ver também , pela comparação do Lucro Líquido com o Patrimônio Líquido, qual a taxa de retorno que a empresa está apresentando.

Veja na figura abaixo, que representa um Demonstrativo de Resultados, que a margem de lucro bruto média da empresa é de 17,7%. Nas empresas comerciais, esse é o percentual que se costuma chamar de MARGEM. Ou seja, é a margem bruta, deduzindo-se do preço de venda (ou receita bruta) os valores referentes aos impostos e ao custo da mercadoria vendida.

DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS
LINHA DESCRIÇÂO R$ %
01 RECEITA BRUTA DE VENDAS 800.000,00 100,0%
02 (-) INPOSTOS S/VENDAS 108.400,00 13,6%
03 RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS 691.600,00 86,5%
04 (-) CUSTO DAS MERCADORIAS 550.000,00 68,8%
05 LUCRO BRUTO 141.600,00 17,7%
06 (-) DESPESAS FIXAS 105.000,00 13,1%
07 RESULTADO ANTES IR/CSSL 36.600,00 4,6%
08 (-) IRPJ/CSSL 11.712,00 1,5%
09 LUCRO LÍQUIDO 24.888,00 3,1%

Veja agora na figura que representa um Balanço Patrimonial, que o valor do Patrimônio Líquido, ou seja, do investimento feito pelos empresários na empresa , é de R$ 3.200.000,00.

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
CIRCULANTE 3.000.000 CIRCULANTE 1.650.000
Disponível 30.000 Fornecedores 450.000
Clientes 1.200.000 Tributos a recolher 175.000
Estoques 1.100.000 Empréstimos 900.000
Outros créditos 670.000 Outros débitos 125.000
NÃO CIRCULANTE 2.000.000 NÃO CIRCULANTE 150.000
Créditos de longo prazo 50.000 Débitos a longo prazo 150.000
Imobilizações 1.950.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 3.200.000
TOTAL DO ATIVO 5.000.000 TOTAL DO PASSIVO 5.000.000

Para calcular a Taxa de Retorno sobre o Investimento, deve-se comparar o Lucro Líquido do período com o Patrimônio Líquido (inicial do período). Isso nos diz qual a taxa de retorno que um determinado valor investido (patrimônio líquido inicial) proporcionou no período. No caso desse exemplo, a taxa de retorno é de R$ 24.888,00 / R$ 3.200.000,00 = 0,7778%.

Considerando que o demonstrativo de resultados se refere a um período mensal, pode-se dizer que o retorno sobre o investimento é de 0,7778% a.m. ou de 9,7434% a.a. (taxa ao mês anualizada pelo critério de juros compostos considerando que os resultados mensais serão reaplicados à mesma taxa).

Nesse caso, se o empresário julgar que a taxa de retorno sobre o investimento que a empresa está proporcionando é adequada para suas expectativas e que o volume de vendas esperado é o do Demonstrativo de Resultados da figura acima e, também, que os demais itens de custos e despesas se manterão nas mesmas proporções, poderá trabalhar com a margem de 17,7% no cálculo e análise de seus preços.

Desejando otimizar o retorno sobre o investimento, o ideal é adotar um conjunto de medidas para obter com mais facilidade os resultados desejados. Além de procurar aumentar as vendas e reduzir despesas, uma ação que repercutirá favoravelmente de forma importante é o gerenciamento do mix de produtos com o objetivo de melhorar a margem. Vou falar sobre isso em uma próxima postagem.

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Escrituração Contábil – Obrigatoriedade X Necessidade

A leitura e análise de balanços e outras informações financeiras oriundas da Contabilidade são necessidades básicas para todos os profissionais que se envolvem na gestão de empresas. Mais ainda, é uma necessidade dos empresários.

Trabalho com consultoria de apoio à gestão de empresas em assuntos que envolvem a sua economia há mais de 25 anos e observo que o assunto Contabilidade é tabu para muitos empresários.

Há uma confusão entre a obrigação legal de apresentar a escrituração para o fisco e a necessidade de manter a escrituração para gerar informações gerenciais importantes para a tomada de decisões na empresa.

A empresa pode ser uma Sociedade por Ações, pode ser uma Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limita, pode ser uma Microempresa. Pode apurar os seus tributos federais (IR, CSSL) pelo regime de lucro real ou lucro presumido (mais utilizados). Pode ser optante do Simples Nacional. Ou seja, há diversas formas de a empresa se apresentar perante o mercado e o fisco.

As orientações, pelo que tenho percebido, são controversas. Há, entretanto, a predominância entre os empresários, do entendimento de que empresas optantes do Simples ou que utilizam o regime de Lucro Presumido, estão desobrigadas da escrituração contábil regular. Este tema é controverso. Veja os textos abaixo sobre este assunto.

Embora a responsabilidade técnica sobre a escrituração contábil e pela apresentação das informações financeiras dela extraídas seja de Contador habilitado, há uma gama de profissionais que trabalha nas empresas (administradores, economistas, gerentes, diretores, proprietários) que precisa utilizar as suas informações para embasar e complementar as suas análises.

A principal pessoa que recebe os efeitos desta interpretação (obritatoriedade ou não) é o empresário.

No meu entender, a disponibilidade de uma escrituração contábil (e de seus demonstrativos como o balanço, o demonstrativo de resultados, o fluxo de caixa), independentemente da obrigatoriedade legal ou não, é ferramenta indispensável na gestão da empresa.

O empresário precisa, para tomar decisões importantes, saber se a empresa está dando lucro ou não e qual o valor deste lucro ou prejuízo. Precisa saber sobre as suas necessidades e sobre a evolução do seu capital de giro. Sobre o seu endividamento, sobre o giro de seus ativos, sobre os seus custos e despesas. Precisa, principalmente, parâmetros seguros para plenejar o seu crescimento e a sua sobrevivência no mercado em que atua.

Sem uma escrituração contábil atualizada e bem elaborada, isso é quase impossível, já que a alternativa, em geral, é um emaranhado de planilhas. Os lançamentos nas planilhas não têm um componente de segurança que tem a escrituração contábil que é o método das partidas dobradas.

A mensagem que deixo aos empresários é a de que, independente de ser ou não ser obrigatória a escrituração e apresentação das demonstrações, há a necessidade desta importante ferramenta para dar segurança a toda a gama de informações relevantes de que a empresa precisa para orientar a sua sobrevivência e o seu crescimento.

Fale com o seu Contador a respeito. Estude sobre análise e interpretação de balanços. Peça ajuda ao seu Contador para entender melhor as informações contábeis da sua e de outras empresas. Leia os textos a seguir para melhorar o seu entendimento sobre a matéria:

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